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Tecnologia

Carros com excesso de telas podem piorar a experiência ao volante, revela estudo; entenda o que o motorista deve observar

Anais Corvain
Anais Corvain setembro 2, 2026
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11 Min de leitura
Carros com excesso de telas podem piorar a experiência ao volante, revela estudo; entenda o que o motorista deve observar
Carros com excesso de telas podem piorar a experiência ao volante, revela estudo; entenda o que o motorista deve observar
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Pesquisa com mais de 68 mil proprietários mostra que tecnologia útil agrada mais do que telas sofisticadas e pouco utilizadas.

A indústria automotiva passou os últimos anos transformando o interior dos carros em verdadeiros centros digitais, com painéis enormes, comandos por toque, assistentes de voz, conexão com smartphones e até telas exclusivas para o passageiro. Um estudo divulgado nesta semana, porém, coloca em xeque a ideia de que quanto mais tecnologia embarcada, melhor será a experiência ao volante. O Tech Experience Index 2026, da J.D. Power, ouviu 68.084 proprietários de veículos ano-modelo 2026 nos Estados Unidos após os primeiros 90 dias de uso e avaliou 40 tecnologias diferentes. O resultado mostra que alguns dos recursos mais chamativos são justamente aqueles que apresentam menor utilização e maior incidência de problemas. (AutoPapo)

Contents
Pesquisa com mais de 68 mil proprietários mostra que tecnologia útil agrada mais do que telas sofisticadas e pouco utilizadas.Por que tantas telas não significam necessariamente um carro melhorQuais tecnologias realmente fazem diferença para quem dirigeComo escolher um carro tecnológico sem cair na armadilha do excesso de equipamentos

A descoberta interessa diretamente ao consumidor brasileiro, principalmente porque as montadoras estão lançando veículos cada vez mais conectados no país. A questão, portanto, deixou de ser apenas “quantas telas o carro tem?” e passou a ser “quais tecnologias realmente tornam a condução melhor, mais segura e mais prática?”. Essa mudança de perspectiva pode ajudar o motorista a escolher um carro novo sem pagar caro por equipamentos que impressionam na concessionária, mas pouco acrescentam no uso cotidiano.

Por que tantas telas não significam necessariamente um carro melhor

A tela exclusiva para o passageiro dianteiro é o exemplo mais emblemático apontado pela pesquisa. Segundo o levantamento da J.D. Power, 35% dos proprietários de veículos equipados com esse recurso afirmaram nunca ter tentado utilizá-lo, enquanto somente 6% disseram usar a tela em todas as viagens. O equipamento também registrou 21,3 problemas relatados a cada 100 veículos, colocando a tecnologia entre as que apresentaram mais dificuldades no estudo. (Motor1.com)

O resultado é interessante porque mostra uma diferença importante entre tecnologia disponível e tecnologia efetivamente útil. Uma terceira tela pode parecer sofisticada durante uma apresentação de lançamento, especialmente em SUVs premium e carros elétricos de alto valor, mas seu benefício real depende de quantas vezes o passageiro utiliza o recurso e de quanto ele facilita a viagem. Se o sistema é pouco intuitivo, apresenta falhas de conectividade ou exige comandos complicados, o equipamento pode acabar sendo percebido mais como um elemento de marketing do que como uma evolução prática.

A pesquisa também reforça uma tendência que já aparece em outros levantamentos sobre qualidade automotiva: sistemas de entretenimento e conectividade estão entre os pontos mais sensíveis dos veículos modernos. No estudo de qualidade inicial de 2026 da própria J.D. Power, o sistema de infoentretenimento registrou índices elevados de problemas nos primeiros meses de utilização. Isso ajuda a explicar por que um carro mecanicamente sofisticado pode ainda frustrar o proprietário quando a central trava, perde conexão com o celular ou demora para responder aos comandos.

Para o motorista brasileiro, a lição é especialmente importante porque a oferta de tecnologia está crescendo rapidamente. Modelos recém-apresentados no país já combinam painel digital, central multimídia, comandos por voz, carregamento sem fio, câmeras e diferentes assistentes eletrônicos. A evolução é positiva, mas o comprador precisa avaliar se esses recursos funcionam de maneira rápida, intuitiva e confiável. Um bom carro conectado não é necessariamente aquele com mais displays, e sim aquele em que a tecnologia desaparece durante a condução e deixa de ser uma distração.

Quais tecnologias realmente fazem diferença para quem dirige

Uma das principais consequências dessa mudança de percepção é a valorização de tecnologias que ajudam o motorista sem exigir atenção constante. Sistemas como frenagem autônoma de emergência, alerta de ponto cego, controle adaptativo de velocidade, monitoramento de faixa e câmeras para manobras podem oferecer benefícios concretos porque atuam como ferramentas de assistência. A própria política automotiva brasileira vem aumentando gradualmente a presença de tecnologias assistivas nos veículos vendidos no país, dentro das metas de segurança e eficiência associadas ao Rota 2030. (ANFAVEA)

Isso não significa que recursos de entretenimento devam desaparecer dos automóveis. Uma boa central multimídia continua sendo importante para navegação, chamadas, música, informações de trânsito e integração com smartphones. O problema aparece quando o motorista precisa desviar a atenção da estrada para realizar tarefas simples que poderiam ser feitas por comandos físicos, voz ou interfaces mais diretas. Nesse sentido, uma tecnologia discreta pode ser muito mais valiosa do que uma tela gigantesca cheia de funções.

A conectividade também precisa ser analisada sob o ponto de vista da estabilidade. Para quem utiliza o carro diariamente, perder a conexão com Android Auto ou Apple CarPlay pode ser muito mais irritante do que não possuir uma tela adicional. O consumidor deveria testar a central antes da compra, verificar a velocidade de resposta, observar a organização dos menus e experimentar comandos que realmente utilizará durante a rotina. O mesmo cuidado vale para aplicativos próprios das montadoras e sistemas que dependem de conexão com a internet.

Outro ponto importante envolve os sistemas de assistência à condução. Eles podem aumentar a segurança, mas não transformam o carro em um veículo autônomo e não eliminam a responsabilidade do motorista. A Anfavea destaca que a evolução dos automóveis vendidos no Brasil inclui justamente a ampliação dos níveis de desempenho estrutural e das tecnologias assistivas à direção. (ANFAVEA)

Para o comprador, portanto, vale mais observar a qualidade e a integração dos recursos do que simplesmente contar equipamentos. Um carro com bons sensores, frenagem automática eficiente, câmera de qualidade e comandos intuitivos pode proporcionar uma experiência superior à de outro modelo com três telas e dezenas de funções pouco utilizadas. A verdadeira inovação automotiva acontece quando a tecnologia resolve problemas reais sem criar novas dificuldades.

Como escolher um carro tecnológico sem cair na armadilha do excesso de equipamentos

A mudança de comportamento do consumidor pode influenciar inclusive a estratégia das montadoras. O mercado brasileiro vive uma fase de forte expansão tecnológica, impulsionada principalmente pelos veículos elétricos, híbridos e pela chegada de novas marcas chinesas. No Festival Interlagos 2026, realizado entre 27 e 30 de agosto, mais de 30 fabricantes apresentaram novidades, incluindo elétricos, híbridos, sistemas de carregamento rápido e novas soluções de conectividade. (UOL)

A eletrificação, aliás, está acelerando a incorporação de novas tecnologias nos veículos. Na primeira quinzena de agosto, os veículos eletrificados representaram 23,4% dos emplacamentos de veículos leves pelo critério utilizado pela ABVE na análise da Bright Consulting, enquanto os modelos 100% elétricos chegaram a 11,5% do mercado no período. O crescimento significa que mais brasileiros estão entrando em contato com arquiteturas eletrônicas sofisticadas, grandes centrais multimídia e sistemas de assistência que antes estavam concentrados em veículos premium. (InsideEVs Brasil)

Nesse cenário, o consumidor precisa aprender a separar inovação de excesso. Antes de comprar um carro novo, vale experimentar pessoalmente a posição das telas, verificar se os comandos principais podem ser acessados sem retirar os olhos da via e testar a conexão do celular. Também é importante perguntar sobre atualizações de software, garantia dos componentes eletrônicos e disponibilidade de assistência técnica, porque uma falha em uma central moderna pode afetar funções que antes eram independentes.

Outro cuidado está na ergonomia. Uma tela maior não significa necessariamente melhor visualização, principalmente quando o motorista precisa navegar por menus complexos durante o deslocamento. Comandos físicos para funções utilizadas frequentemente, como volume, climatização ou determinados ajustes, podem continuar sendo extremamente úteis. A melhor arquitetura de interior é aquela que organiza a informação de maneira lógica e permite que o condutor se concentre na estrada.

O avanço tecnológico também está mudando a relação entre motorista e automóvel. Carros elétricos e híbridos já incorporam sistemas capazes de monitorar consumo, prever autonomia, atualizar softwares e administrar diferentes funções eletrônicas. A Anfavea classifica os veículos eletrificados em diferentes categorias, como híbridos leves, híbridos completos, híbridos plug-in e modelos elétricos, mostrando como a diversidade tecnológica do mercado está aumentando. (ANFAVEA)

O estudo da J.D. Power não significa que as telas estejam condenadas ou que os carros devam voltar aos antigos painéis analógicos. A mensagem é mais interessante: a tecnologia precisa justificar sua presença. Para o motorista, isso significa avaliar segurança, facilidade de uso, confiabilidade e integração antes de se impressionar com a quantidade de equipamentos.

A indústria automotiva brasileira está entrando em uma fase na qual carros conectados, elétricos e híbridos serão cada vez mais comuns. Nesse ambiente, os melhores veículos não necessariamente serão os que oferecerem o maior número de telas, mas os que conseguirem integrar tecnologia, segurança e prazer ao dirigir de maneira natural. Para quem pretende comprar um carro novo, testar os recursos antes da assinatura do contrato será tão importante quanto conferir motor, consumo e acabamento. Afinal, a inovação que realmente vale a pena é aquela que melhora a viagem sem fazer o motorista esquecer que sua principal tarefa continua sendo dirigir.

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