A Renault Geely do Brasil iniciou, em 15 de setembro de 2026, a produção nacional do Geely EX5 EM-i Super Hybrid. O modelo híbrido será fabricado no Complexo Industrial Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, no Paraná. A operação representa a entrada da Geely em uma etapa industrial no mercado brasileiro e amplia a presença de tecnologias eletrificadas na produção local.
O início da fabricação foi anunciado pela Geely Newsroom. Segundo a empresa, a unidade paranaense passou por adaptações para receber a arquitetura GEA, plataforma destinada a veículos eletrificados. O EX5 EM-i será lançado no mercado brasileiro ainda em 2026, mas preço, volume anual de produção e data exata do início das vendas não foram informados nas fontes consultadas.
Produção começa em São José dos Pinhais
O Complexo Industrial Ayrton Senna é o centro da nova operação. De acordo com informações da Renault Brasil, o local reúne duas fábricas e conta com cerca de cinco mil colaboradores. A estrutura passa a ser utilizada também para a produção de veículos da Geely, em uma configuração que combina a capacidade industrial já instalada com uma arquitetura voltada à eletrificação.
A fabricação do EX5 EM-i ocorre no contexto da parceria entre Renault e Geely, que prevê a produção de diferentes modelos e o uso compartilhado de tecnologias. Na prática, o movimento insere veículos híbridos e elétricos em uma mesma estratégia industrial no país, em vez de limitar a eletrificação à importação de unidades prontas.
Elétrico EX2 está previsto para dezembro
Além do híbrido, a Renault Geely confirmou que o Geely EX2, um hatch totalmente elétrico, começará a ser produzido no complexo paranaense em dezembro de 2026. O cronograma amplia o alcance da operação, que passa a contemplar duas soluções distintas: um veículo híbrido, com sistema que combina propulsão elétrica e motor a combustão, e um modelo movido exclusivamente por eletricidade.
A diferença é relevante para o consumidor brasileiro. Em um híbrido, a eletrificação trabalha em conjunto com um motor a combustão, enquanto um automóvel totalmente elétrico depende de uma bateria para alimentar o sistema de tração. A autonomia, a infraestrutura de recarga, os custos de manutenção e a forma de uso variam de acordo com a tecnologia e com as especificações de cada modelo, que ainda não foram detalhadas integralmente para a produção nacional.
O planejamento da parceria também prevê, a partir de 2027, a fabricação de um novo veículo Renault baseado na mesma arquitetura elétrica. A informação indica que a adaptação industrial não ficará restrita a um único lançamento da Geely e poderá sustentar uma família mais ampla de produtos eletrificados no Brasil.
Investimento chega a R$ 5,8 bilhões
Em 16 de setembro de 2026, a Prefeitura de São José dos Pinhais informou um novo investimento de R$ 2 bilhões no complexo industrial. Com o aporte, o total previsto pela parceria Renault-Geely no Brasil entre 2025 e 2027 chega a R$ 5,8 bilhões, de acordo com o município.
O pacote está relacionado à ampliação da produção de veículos eletrificados e à incorporação de novas tecnologias de propulsão de baixa emissão. Para a indústria automotiva brasileira, a decisão reforça a disputa por investimentos em plataformas híbridas e elétricas, em um momento no qual fabricantes tradicionais e novos grupos ampliam suas estratégias de eletrificação.
A nacionalização também pode modificar a forma como esses veículos chegam ao mercado. A produção local tende a aproximar fabricantes, fornecedores e trabalhadores das novas tecnologias, além de reduzir a dependência exclusiva de veículos importados. No entanto, os efeitos sobre preços, disponibilidade de peças, rede de manutenção e escala de vendas dependerão das especificações finais dos modelos e das condições comerciais que ainda serão divulgadas.
O que muda para o mercado brasileiro
O início da produção do EX5 EM-i e a previsão para o EX2 colocam São José dos Pinhais no mapa da nova fase da indústria automotiva brasileira. A cidade, localizada no Paraná, passa a concentrar uma operação que combina produção híbrida, desenvolvimento de veículos elétricos e expansão de uma parceria internacional entre Renault e Geely.
O anúncio, contudo, não permite concluir ainda qual será o impacto imediato sobre o mercado. Não foram divulgados o volume de unidades planejado, o preço do EX5 EM-i, o posicionamento comercial do EX2 ou detalhes completos sobre a localização e a capacidade da cadeia de fornecedores. Por enquanto, o principal marco é industrial: a eletrificação passa a fazer parte da produção nacional da Renault Geely, com novos modelos previstos para os próximos anos.