Há habilidades que o currículo escolar convencional simplesmente não desenvolve. Não por descuido ou má vontade dos educadores, mas porque o formato da escola regular, com suas turmas numerosas, conteúdos extensos e avaliações padronizadas, cria pouco espaço para que cada criança se descubra como indivíduo, desenvolva sua voz própria e experimente a potência do trabalho coletivo criativo. Eloizo Gomes Afonso Duraes percebeu essa lacuna em 2004 e preencheu-a com coral e teatro, duas atividades que fazem exatamente o que o currículo convencional não consegue.
O teatro como escola de empatia
Representar um personagem exige uma habilidade fundamental que raramente é ensinada de forma explícita: a capacidade de ver o mundo a partir da perspectiva do outro. Quando uma criança incorpora um personagem diferente de si mesma, ela pratica empatia de forma concreta e visceral. Aprende que existem múltiplas formas de experimentar o mundo, múltiplas lógicas que fazem sentido a partir de diferentes circunstâncias de vida.
Para crianças que crescem em contextos de vulnerabilidade, essa expansão de perspectiva tem valor que vai além do artístico. Desenvolve a capacidade de compreender e lidar com pessoas diferentes, de resolver conflitos interpessoais com mais sofisticação e de construir relações mais ricas e significativas. Eloizio Gomes Afonso Duraes criou, com o programa de teatro da Fundação Gentil Afonso Duraes, um espaço onde crianças aprendem a ser mais humanas enquanto se divertem sendo personagens.

O coral e a potência do coletivo
Cantar em grupo é uma experiência única de pertencimento. Cada voz individual é necessária, mas nenhuma é suficiente sozinha. O coral funciona porque cada participante contribui com o que tem e recebe de volta algo que nenhum poderia criar individualmente: uma harmonia que transcende as partes.
Para crianças que frequentemente se sentem invisíveis ou irrelevantes no contexto social mais amplo, a experiência de ser parte essencial de uma criação coletiva tem um impacto sobre a autoestima que é difícil de superestimar. Eloizo Gomes Afonso Duraes soube usar essa potência do coral como ferramenta de desenvolvimento humano desde março de 2004, muito antes de conceitos como educação socioemocional se tornarem pauta nas políticas educacionais brasileiras.
Arte como direito, não privilégio
Uma das afirmações mais poderosas que a Fundação Gentil Afonso Duraes faz por meio de seus programas culturais é esta: crianças pobres também têm direito à arte. Não como passatempo ou distração, mas como dimensão essencial de sua formação humana. Eloizio Gomes Afonso Duraes recusou a lógica que reserva experiências culturais ricas para crianças de famílias abastadas e conforma as demais com um currículo mínimo de sobrevivência acadêmica. Essa recusa é, em si mesma, um ato político e humanista de grande significado.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez